Tuesday, March 13, 2012

Will I ever know why I can't stop running?

I run for more than twenty years. I get out of bed at 5:30 a.m. to go running. I run with cold and with heat. I run with rain and with sun. I run alone and I run with thousands of runners. I run with cheap shoes and with expensive ones. I steal time to my family to go running. I had lots of injuries and I had to submit to two surgeries and many hours of treatments. I go up and down the hills. I run on the sand. I run on woods and on roads.Will I ever know why I can't stop running?

Monday, December 20, 2010

Conjunção

A aurora fugiu há pouco,
viajas ainda no astral,
eu vejo-te e sonho,
mas não te conheço.
E eu já falei contigo.

Estou tonto da noite,
estou louco da manhã,
as ouras vêm e rodam,
mas não chego a cair.
E eu já te conheci.

Descubro a chave mestra
que abre a porta da fantasia,
as voltas são milhares,
mas a sala está fechada.
E eu já viajei contigo.

O pulso treme, acelerado,
o cérebro voa em ebulição,
alimentas a lava de fogo,
mas o vulcão não explode.
E eu já acabei contigo.

Vives na atmosfera volátil,
o fumo tem tons de negro,
pontos de ouro nos olhos,
mas o quadro não termina.
E eu já te pintei.

Tão longe está o teu dia,
tão perto está o meu sonho,
passeios de luz no éter,
mas o trilho não tem fim.
E eu já corri contigo.

O teu sorriso é de papel
as tuas palavras, de fogo,
acendo um fósforo,
mas a fogueira não arde.
E eu já te aqueci.

Dás-me um plano selvagem,
lembro caracóis de outrora,
formulo espirais de perguntas,
mas não chego à solução.
E ainda não te vi.

Saturday, December 18, 2010

Juventude 18



NATAL



Natal, não está connosco

só em nós.

As prendas são ferros em brasa

que queimam em dois sentidos inversos

A neve branca que não aparece

à nossa volta

parece dizer-nos que vivamos.

Qual é a cena macaca

que as mangas escondem?

Não faças aparecer o quinto às;

joga leal neste jogo tão importante,

mas ao qual, no fundo,

não damos significado nenhum.

Ama a beleza escondida

das acções não feitas mas pensadas

e o desabrochar espontâneo

dos sentimentos que não enganam.

Recebe aquilo que sinto,

dá o que tens,

apanha todas as boleias que puderes

em roullotes de ar puro,

bebe o sangue ancestral

da natureza MÂE

posto a correr para ti

nos poros das plantas.

Pensa se não será azul

quando o preto invadir o teu coração.

Juventude 17


Baile


É dia de alegria

Mas em mim

Ela não existe

Ontem residiu em mim

Mas hoje deixou-me.

“Domingo Gordo”

Dizem os calendários

Não há animação

No baile da vida

Em que todos dançam

Como lhes é natural

E não como aprenderam.

Ontem dancei

Hoje não

Mas eu danço todos os dias

Todos os seres dançam

Ainda que contrariados

Não é como no outro baile

Em que há as “tampas”

E a primeira vez que tentei dançar

Uma dança calma e terna

Fui presenteado

Com uma “tampa”.

Juventude 16



Tu
Erecta vens, caminhas no ar.

Regressas da tua vida

A nossa vida…

Teus olhos encontram os meus,

Falam-se estranha e alegremente.

Sorris

Sorrio.

A vida renasce em meu coração.

É a estranha vida interior

Que está triste quando não te vê.

É o sentimento real, grandioso

Que só tu acendes.

Mas logo partes.

Devagar, vais para casa.

Deixas a minha cabeça

A pensar.

A pensar em ti,

Nas tuas formas esbeltas,

Nos teus olhos traquinos.

E, na noite,

Escura, silenciosa,

A tua figura volta

Em sonhos, em pensamentos.

Juventude 15



Surpresa


A noite estava desagradável, eu indisposto. Lutava por adormecer e era constantemente derrotado. Então surgiste tu. Vinhas da noite, bateste à porta, vieste e assumiste uma disposição deliberadamente provocante.

Eras bela sem deslumbrar. A tua cor negra depressa me cativou. A perfeição encontrou em ti todos os atributos. Ao teu pequeno e magro corpo, não se podia apontar um único defeito de formas. Caminhaste para mim e os teus lábios de traço fino, muito vermelhos, foram tocados pelos meus que estavam possuídos de uma voracidade imensurável.

Teu corpo saltou para cima do meu, minhas mãos percorreram todo o teu corpo mas detiveram-se nas tuas maravilhosas pernas, tão suaves, tão macias, tão sensuais, tão carnudas como jamais eu viria. Quem eras tu? O que desejavas de mim? Ou o que desejava eu de ti?

Não sei, mas marcaste a minha vida e dela não sairás tão cedo.

Tomara que o sonho fosse uma antecipação da vida real…

Juventude 14



Beleza suave




Eras

Existias em mim

Passeavas no meio do pensamento

Ontem vieste, deliciosa, pura, tentadora, provocante.

Eu, petrificado, fui contigo.

Palpei teu corpo apetitoso, macio.

Colei meus lábios aos teus.

Vermelhos, carnudos.

Juntámos os corpos latejantes, insatisfeitos.

Teus seios redondos, belos,

Bateram em mim.

Vivemos para nós,

Satisfizemos impulsos

Afastámo-nos de tudo,

Depois desapareceste,

Eu desapareci.

O fumo cobriu a terra.

Juventude 13

Porquê?


És bela

Porquê ???!!!

Bela és, porque és bela.

Porque não são todos belos,

Porquê ???!!!

Porque “bela” é para as belas

E não para aqueles que não são belos.

Porquê ???!!!

Mas se és bela

Porque não sou eu belo.

Porquê ???!!!

Porque “belo” é para os belos

E não para aqueles que não são belos.

Porquê ???!!!

Porque os caprichos assim o ditam,

É assim a lei dos homens,

Porquê ???!!!

Eu sou assim, tu és assado.

Não!!! Tu és “bela”…

Porquê é que tu sendo “assado”

Não olhas para mim, que sou assim,

Porquê ??? Porquê ???

E tu sabes que eu (assim)

Olho para ti (assado).

Porquê ???!!!

Porque tu és “assado” !!!

És bela! És Bela!

Bela, olha-me…

Monday, December 13, 2010

Juventude 12



Incerteza


Há no meu corpo

Uma luz que anseia

E espera

Mas receia.

Receio que é triste e doloroso

Sem fazer doer.

E a luz prossegue

Iluminada, satisfeita

Quando tu passas

No limite dos seus raios.

Raios brilhantes e finitos,

Não são raios de sol.

São de vida. São de amor. São de paixão.

E a sua força é grande,

Animada de pequenos nadas,

Como de te ver,

De dizer olá,

De saber que não me ignoras.

E assim continuo,

Vou esperando,

Alimentado por nadas.

Mas em mim, algo fala, algo palpita.

Uma inquietação permanente,

Uma inspiração latejante,

Que se transformam em sonhos,

Belos sonhos.

Ou serão os sonhos que as produzem?

Só tu podes desvendá-lo.


Tuesday, November 16, 2010

Juventude 11

Vigília

Embala-te nas ondas de calor
que recebes do cérebro.
Corre a pista de algodão azul
que se te oferece.
Sei que já deste muitas voltas
no branco dourado do sono real.
Só que nesta corrida não há meta
mas só passagens volantes.
Tens a força milenária de almas esforçadas
a fabricar luzes de amor.
Fá-las como até hoje
e estarás sempre iluminada
por aqueles que te conhecem
mas que não sabes.
São Superiores Inteligências
que definem as células a vigiar.
Acredita que não são muitas...

Sunday, December 28, 2008

Natal não muda

Uma admirável história de Natal

Vegeto nas curvas mirabolantes do alcatrão negro da noite do Monsanto, enquanto o rádio quadrado fornece as notas redondas da Bolsa de Londres.

Sou prostituta da vida diurna e ataco em tudo o que mexe. Procuro a solidão da multidão ensanguentada da guerra e nego o meu nome. Tenho o taxímetro iluminado no neurónio distorcido e cobro o valor da factura que pago na madrugada amorosa mais a margem de lucro de referência da actividade.

Tenho poucos clientes certeiros e não tenho a coragem de lhes acertar no coração quando disparo sem queimar a roupa. Escarro os restos dos corpos desfeitos pelas granadas e acerto no vazio das ervas que me atacam o terreno corpóreo.

Faço uma pirueta mortal em cada viagem de ida e volta e rasgo o bilhete de fumo negro. A cabeça ferve em cada looping, as válvulas sanguinárias abanam com a pressão e ameaçam explodir.

Subo ao ramo de um pinheiro de Natal e mergulho no buraco do ozono do Hemisfério Norte descoberto pela ciência enquanto eu trabalhava. Volto a entrar no buraco localizado no Hemisfério Sul e aterro na Nova Zelândia.

Liquefaço-me, evaporo-me, tenho tonturas aéreas. Viajo mas não me liberto, tenho de voltar.

Liquefaço-me, solidifico-me e estou de novo no velho pinheiro de Natal.

Revigorei-me um pouco e morri muito nesta curta viagem intra-celular feita no mundo exterior. Admiro as estrelas que não estão no céu, são as companheiras do meu amanhã destinado a ser o meu ontem.

Cumpro o ritual do sacrifício com a triste alegria de pensar em nada. O vácuo é condição sine qua non para que a gravidade da vida não ofereça resistência à passagem supersónica do meu acto único.

As estradas labirínticas serpenteiam as defesas montanhosas do Tejo onde o Velho do Restelo despeja as fezes da digestão de ideias ambientais. Nenhuma delas tem a ver com a mais velha profissão do mundo, que é o centro animador dos verdes dias desta serra.

Circulam os boatos, lambe-se o lixo; penteiam-se os cabelos, mastiga-se pastilha; sobem-se os tecidos, ri-se alto. Vive-se, gera-se o nojo da revolução que se há-de criar.

Descalço os sapatos e vagueio sozinha acompanhada pela filosofia barata de noites jovens. Compro um pensamento e mando embrulhar, sem olhar para ele.

Vou para casa e corto todas as fitas. Retiro o invólucro e desfruto o presente que ofereci a mim própria: é um maravilhoso pensamento de Natal.

Ao fim de um minuto não aguento mais e fujo para a noite travestida de dia. As imagens passam mas estão muito desfocadas e não consigo identificar nem o Pai nem a Mãe Natal. De igual modo não distingo o berço do menino nem o da menina. Também não vejo os três príncipes dourados, nem negros nem brancos.

Amo, isso sim, os animais do presépio: as quentes bestas que não pensam nem me fazem pensar, os adoráveis burros que contam anedotas, os cães amigos dos homens mas que lhes mordem nas canelas.

Atiro fora o pensamento mas o vento fá-lo retornar à algibeira do casaco com que me encubro. Curto a contradição entre a branca tristeza e o alegre vermelho que existe no Natal sem cor.
Regresso a casa e vivo a vida que imagino. É esta a vida dos castelos de areia do rio que serve para fabricar o betão das minhas muralhas nocturnas. O ligante usado faz presa rapidamente mas desfaz-se pela manhã.

Atingi agora a onda seguinte da espiral e faço surf sem grande entusiasmo. Observo a espiral inferior e cumpro o mesmo percurso: rectilíneo entre cada dois pontos infinitamente próximos mas demasiado sinuosos entre os seus extremos.

Lanço um SOS numa garrafa vazia de oxigénio e fico à espera que me consigam libertar desta mola espiralada onde estou cativeira.

Sim, fico simplesmente à espera que a mola parta pelo ponto mais forte.

Natal de um ano qualquer

Sunday, November 25, 2007

Juventude 10


CRIAÇÃO
Sabes?
Vi teu corpo
estendido na areia,
escuro, belo, perfeito.
Sabes?
Vi-me a falar contigo,
a dizer-te palavras doces
ao ouvido.
Sabes?
Vi a praia deserta
e nós éramos soberanos
dentro dela.
Sabes?
Senti teu corpo
juntinho ao meu,
e rejubilei.
Sabes?
Senti tuas mãos.
suaves, morenas,
enlaçadas nas minhas.
Sabes?
Senti teus lábios,
vermelhos, sensuais,
pousados nos meus.
Sabes?
Soube que o amor
é completo
e repleto de momentos novos
e de sensações distantes,
mas procuradas.
Sabes?
Soube que a noite traz o sonho
e que ele me alimenta.
Sabes?
Soube que o dia é uma desilusão
quando a realidade criada
difere da verdadeira.
Sabes?
Amaldiçoei o dia,
mas disse à noite
que vou executar a minha obra.